Cadê?
O início: Uma pergunta.
Cadê?
A resposta: desenhos e textos.
Os dele, os meus.
Logo, seu nome, história, pensamentos.
De mim, o anonimato.
Suficiente o diálogo. O que eu era não precisava de título.
Ainda assim, chamou-me Carmem.
Carmem como personagem. Carmem como carmesim,
A combinar com as botas vermelhas,
Cujo som dos tocos-tocos sempre era pauta das conversas.
“Você pisa forte.”
E assim passaram os dias daquela época breve.
Olhos. Boca. Silêncio. A tragada seguida de um soltar de fumaça, sem pressa, sem desviar o olhar.
A cena em preto e branco, como num filme noir.
Presos no tempo. Um no outro. E em si mesmos.
O meio: o falso fim.
O nome verdadeiro, a despedida doída, a escrita desenfreada.
O oxigênio pouco, o peito apertado, a pele ardida.
Angústia.
Saudade.
Abstinência.
De manso, uma frase. Curta, objetiva, segura.
O vetor do descarrilhar.
E então, tudo. Inconsequente. Absoluto.
Depois, a única conclusão possível.
O fim: a realidade.
A rua, as pessoas, a vida em cores.
Liberdade agridoce,
Banhada em alívio e culpa.
Na memória, a reprise infinita
Do filme da nossa vida
Dos sentimentos matados
Dos seu cigarro fedido
Das minhas desculpas mal contadas
Da voz rouca no ouvido
Tudo imaginado.
Que dó eu tenho da nossa mentira. Tão bonita escrita.
Como seria se tivesse sido vivida?
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