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Cadê?

há 6 dias
1 min de leitura

O início: Uma pergunta.

Cadê?

A resposta: desenhos e textos.

Os dele, os meus.

Logo, seu nome, história, pensamentos.

De mim, o anonimato.

Suficiente o diálogo. O que eu era não precisava de título.

Ainda assim, chamou-me Carmem.

Carmem como personagem. Carmem como carmesim,

A combinar com as botas vermelhas,

Cujo som dos tocos-tocos sempre era pauta das conversas.

“Você pisa forte.”

E assim passaram os dias daquela época breve.

Olhos. Boca. Silêncio. A tragada seguida de um soltar de fumaça, sem pressa, sem desviar o olhar.

A cena em preto e branco, como num filme noir.

Presos no tempo. Um no outro. E em si mesmos.


O meio: o falso fim.

O nome verdadeiro, a despedida doída, a escrita desenfreada.

O oxigênio pouco, o peito apertado, a pele ardida.

Angústia.

Saudade.

Abstinência.

De manso, uma frase. Curta, objetiva, segura.

O vetor do descarrilhar.

E então, tudo. Inconsequente. Absoluto.

Depois, a única conclusão possível.


O fim: a realidade.

A rua, as pessoas, a vida em cores.

Liberdade agridoce,

Banhada em alívio e culpa.

Na memória, a reprise infinita

Do filme da nossa vida

Dos sentimentos matados

Dos seu cigarro fedido

Das minhas desculpas mal contadas

Da voz rouca no ouvido

Tudo imaginado.

Que dó eu tenho da nossa mentira. Tão bonita escrita.

Como seria se tivesse sido vivida?



 
 
 

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