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Inacabada

há 8 horas
1 min de leitura

Sou uma amadora do cotidiano. Habilidade mesmo, só de fugitiva. Aprendi desde cedo a me esquivar do que não sabia, com medo do ridículo de minha ignorância, sem me dar conta de que o maior vexame é negar a necessidade de aprender.


Cresci assim, escorregadia e tola. Justificando meus desvios por crer dispensável o aprendizado em questão, desinteresse, falta de tempo ou a mais pura preguiça. Hoje, adulta, sou uma criança inacabada. Vivo me admirando do redor que vejo, já tão comum a todo mundo.


Fico surpresa com canos, formatos, fumaças, temperaturas, coisas que colam, coisas que se largam, carros, chaves, crianças, árvores. Em minha cabeça, delibero, analiso, formo conclusões e concluo formas. E ao final de mais de trinta anos de reflexões profundas, me afogo deitada no raso, simplesmente porque não aprendi a me levantar.


Desconheço o básico. Uma eterna aprendiz, não do jeito modesto de quem está aberto ao novo, mas uma aprendiz atrasada de coisas velhas. Ora deslumbrada, ora assustada com as trivialidades do existir. Assim vou levando a vida, me equilibrando nas beiradas dos meus não saberes: perguntadora em uns dias, contente com o vazio em outros, sempre em rota de fuga, perseguida pela palavra Incapaz.

 
 
 

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