Outro dia reparei no rosto de um vizinho. Ele sempre me pareceu muito amoroso e alegre. Não entendia porque um desconhecido me passava essa impressão com tanta certeza. Mas hoje eu soube. Ele está sempre com um sorriso, mesmo quando não sorri. Está ali, desenhado pelo tempo. Um risco reforçado em cada repetição do gesto: sobrancelhas arqueadas, bochechas contraídas, olhos semicerrados, boca feliz. Passei a tarde pensando em rugas. Não do ponto de vista vaidoso, como talvez ma