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Do cotidiano, faço palavra.
Leitura em destaque


Atestado de humanidade
Um marceneiro, um ajudante e uma discussão sobre o que, afinal, é inteligência.
8 min de leitura
Cinza Fumaça
Domingo a tarde, deitei-me na rede, abaixo do meu jovem pé de maracujá, para ler. Gosto desse ritual principalmente pela possibilidade de, nas pausas que faço para pensar, olhar o céu, que com suas cores e desenhos apura a minha digestão de ideias. Hoje, porém, não havia alaranjado, amarelo, ou um tradicional azul sequer. Uma grande capa de fumaça cobriu o céu do centro-oeste. Nessa palidez, ideia nenhuma tomou forma. Nenhum barulho ou palavra foi possível. Na verdade, sempr
Repartição Pública
Um homem velho, baixo e arrogante. Documentos fraudulentos nas suas mãos desonestas. Um retrato vivo da doença do sistema governamental humano. “A lei não diz isso” ele argumenta, agarrando-se a qualquer brecha de palavra. Esquivo do ilegal, mas apanhado no imoral. Adorador de sua própria vantagem, pisa e esmaga o que se interpuser na sua ganância. Por cima dos óculos sujos, encara com ardilosidade a moça para quem empurra os papéis. “Não aceito”, ela resiste. O homem, incapa
Tempo de Espera
Tempo de espera sempre provoca alguma inquietação dentro de nós. Tédio, impaciência, arrependimento. Quando a espera já é sabida, costumamos planejar o que fazer durante, para “aproveitar o tempo”: Ler, fazer listas, ligar para alguém, assistir a vídeos, ou mesmo, dormir. Qualquer coisa, para não lidar com o nada. Mas, quando além da espera, somos submetidos a não ter qualquer objeto de distração conosco, nem o sono, nos resta passear pela imaginação. Mundos de faz-de-conta e
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