Tempo de Espera
- Rosi Alves

- 28 de mai. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 14 de ago. de 2025
Tempo de espera sempre provoca alguma inquietação dentro de nós. Tédio, impaciência, arrependimento. Quando a espera já é sabida, costumamos planejar o que fazer durante, para “aproveitar o tempo”: Ler, fazer listas, ligar para alguém, assistir a vídeos, ou mesmo, dormir. Qualquer coisa, para não lidar com o nada.
Mas, quando além da espera, somos submetidos a não ter qualquer objeto de distração conosco, nem o sono, nos resta passear pela imaginação. Mundos de faz-de-conta e situações inventadas ainda parecem mais confortáveis que o nada real.
Foi numa situação dessa que me vi domingo de manhã. Sentada no fundo e canto de uma sala, observei com atenção meu redor, comentando comigo mesma sobre o que via. Percebi que a moça à minha diagonal me olhava. Não pareceu simpática. Em seguida, compreendi. Era eu que pensava enquanto olhava na direção dela. Como a colega não tinha conhecimento do meu diálogo interno, o que pareceu é que eu a encarava. Desviei a vista, me mantendo alerta pra não voltar a mesma posição.
O homem que coordenava a sala começou uma chamada. Meu nome sempre é um dos últimos. Letra R. Mais espera. “Mariana... Manuela... Maria Cristina... Milena...” E mais Ma, Me, Mi, Mo, Mu. Como tem gente com nome começando com M nesse mundo! Se eu tivesse um filho, falei comigo, eu não... Ah! Julguei cedo demais. Nem terminei a frase e me lembrei de que outro dia mesmo, estava me dizendo que gostava do nome Miguel e Maria.
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