Uma Tarde de Leitura
- 28 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de abr.
Sentei-me à mesinha da sorveteria numa terça-feira quente. Abri um livro na inocente intenção de passar uma tarde de tranquilidade e doçura, como tantas desde a adolescência. Mal sabia eu que, daquela vez, não sairia da mesma página.
Poucos minutos se passaram do começo da leitura e já estava eu olhando aos arredores. À minha direita, havia uma estrutura coberta, com alguns bancos: parecia ser uma espécie de ponto de táxi, carona, ou o que quer que fosse aquilo. Ali, as pessoas simplesmente esperavam.
Um homem que pisava o calcanhar em cima dos sapatos sociais fumava, exalando a fumaça devagar, enquanto olhava fixamente para o chão. Parecia tomado de mil pensamentos que, segundo imaginei, não envolviam somente o calo nos pés.
Uma outra, cheia de sacolas, além de uma bolsa infantil a tiracolo, ralhava com a criança que segurava sua mão e choramingava para ir embora. Havia um dó na expressão da mulher, talvez mais por si mesma que pelo pequeno ser humano.
Mais longe, um casal se abraçava. Ambos levavam roupa de academia e mesmo suados, estavam juntos. Início de relacionamento, quando o grau da paixão aplaca as preferências, o olfato e considera todo e qualquer momento apropriado para demonstrações de afeto? Talvez.
Mais à frente, um cachorro esquelético passava. Recebeu um “chega pra lá” de um homem que, logo antes de entrar no seu carro, carregando um saco de pães, afastou o cão com o pé. O animal, com o rabo encolhido, foi chegando perto de um menino que comia um sanduíche e sorriu com a nova companhia. Logo, comiam cão e menino.
Quando dei por mim, percebi que tinha me tornado uma leitora diferente. Se antes eu sempre ia para algum lugar munida de um livro, agora não conseguia me concentrar nas palavras, estava ocupada lendo pessoas.
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