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Do cotidiano, faço palavra.
Leitura em destaque


Atestado de humanidade
Um marceneiro, um ajudante e uma discussão sobre o que, afinal, é inteligência.
8 min de leitura
Sexta-Feira
Havia um cheiro especial no ar. O clima quente e semiúmido típico do verão do Centro-Oeste trazia um vento morno, com promessas de chuva percebidas a cada vez que eu inspirava. O céu branco era um enigma. Ora ele inesperadamente se desnublava e oferecia o mais exagerado sol, ora escurecia e desabava em água. No momento, ainda era cedo para palpitar sobre o que viria. Seja o que fosse, porém, esse cheiro de talvez era especial. Senti-lo logo pela manhã já me fez gostar do dia
Não vá me fazer vergonha
Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou que quando visitássemos alguém eu não deveria me queixar de fome, nem aceitar comida ou qualquer outra coisa que o anfitrião oferecesse. “Não vá me fazer vergonha!” – Dizia ela. “Fulano oferece por educação. A gente vai visitar, mas não vai dar trabalho.” É claro que havia exceções. Quando éramos convidadas para um almoço ou um jantar, por exemplo, o objetivo do evento era a refeição, logo, comer era permitido. Ainda assim, jamais d
Rugas
Outro dia reparei no rosto de um vizinho. Ele sempre me pareceu muito amoroso e alegre. Não entendia porque um desconhecido me passava essa impressão com tanta certeza. Mas hoje eu soube. Ele está sempre com um sorriso, mesmo quando não sorri. Está ali, desenhado pelo tempo. Um risco reforçado em cada repetição do gesto: sobrancelhas arqueadas, bochechas contraídas, olhos semicerrados, boca feliz. Passei a tarde pensando em rugas. Não do ponto de vista vaidoso, como talvez ma
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