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Do cotidiano, faço palavra.
Leitura em destaque


Atestado de humanidade
Um marceneiro, um ajudante e uma discussão sobre o que, afinal, é inteligência.
8 min de leitura
Entre Cores e Silêncios
Escolhi o lugar mais vazio. Ao longo da tarde avistei casais que se sentavam longe, conversavam um tempo e iam embora. Houve um pedido de casamento, breve e modesto. Entre alguns intervalos, um segurança aparecia pra se certificar de que a proibição de alimentos no local estava sendo seguida. Numa das vezes, ele me olhou e perguntou: “Você é uma pintora de verdade?” voltando agora à cena, lembro apenas de um sorriso. Achei qualquer resposta muito complexa. Depois de algum tem
À Deriva de Si
Sem rumo, alguém caminha a perder-se por qualquer canto. É deliberado. Não quer saber aonde vai. Não há chão que lhe signifique importância. Tudo terra, tudo cova. Não disse adeus, não deu abraços. Despedidas são falhas, podem iludir a ficar. Preferiu sair de surpresa – um súbito até para si mesmo. E foi-se embora, deixando para trás portas e janelas que tantas vezes lhe viram ir e voltar. Sentiu no bolso a valsa das moedas, tilintando sua miséria, a combinar com a alma. Viu
Na Ponta da Memória
Eram umas 18:30 quando um cheiro me fez levantar os olhos do livro que lia e fitar o céu. Assim fiquei por um tempo, como quem vê alguém familiar na rua e se esforça pra lembrar de onde o conheceu. Havia qualquer coisa de familiar naquele cheiro. O céu me convidando a voltar a uma lembrança que não entendi claramente. Que agonia: O momento passado na ponta da língua, ou melhor, da memória, e ainda assim, desconhecido. Quanto mais sofria forçando a lembrança, mais o cheiro me
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